Escrita de Apresentação
Escrevo não para encontrar respostas, e sim para propor mais perguntas. A mim, claro, ou ainda a quem quiser responder. E a pergunta de hoje é como nascem os escritores.
Em berço de ouro, insiste a maioria, e continua, há de se formar em uma boa faculdade, ser culto, ter na família escritores, já que, como é provado pela lógica científica, existem genes que dão as pessoas maior probabilidade à escrita.
Daí porque só escritores são os cultos. Errado, certo. E também aqueles ricos que têm condições de financiar a publicação de seus livros, além daqueles que têm um nome formado na mídia, que falam engraçado num programa de TV. Não esqueçamos desses dois. Nome na capa do livro é livro vendido. Só se é conhecido o nome.
Se há invenção boa, então, é a Internet. Escrevemos sem ter editor, publicamos sem ter editora. Poucos lêem, é certo. E não se compara o prazer de ler o seu livro numa rede no alpendre de casa, a ler um livro sentado de frente para uma tela de computar.
O que se precisa é mudar o conceito de como se tornar um escritor, tanto para o público como para aqueles que aspiram à escrita. Machado de Assis, por exemplo, era mulato, epilético, gago, e pobre, tudo, em sociedade escravocrata, que não se deseja. Tornou-se escritor, e o melhor deles. Mas isso se deu através de todo um processo de formação desde os seus primeiros escritos. Assim escreveu ele: “quanto mais versamos os modelos, penetramos as leis do gosto e da arte, compreendemos a extensão da responsabilidade”.
A Escrita, por assim dizer, é algo que se dá por gosto e técnica. Ser escritor é quando consegue ao menos dominar a técnica e quando se escreve algo de bom gosto. Não há inspiração que dê jeito a um espírito que não sabe escrever. E a um espírito que de técnica domina e de gosto não tem nada, daí não há de sair coisa boa.
É um avanço meu , sim. Gosto dessas coisas de escrever e ler. Mas ainda, no meu meio, é considerada tal atitude subversiva. Vejam só. Preconceitos. Que me dão, sim, um sabor melhor para traçar essas palavras.
O título é assim porque são de periferia meus comentários. Nada de doutor em teoria literária. Não sou douto, só gosto. E pronto. Literatura é o que me dá, uma das coisas, prazer na vida. Literatura de ficção. Romance, conto, novela, miniconto, crônica. E é sobre isso que vou falar um pouco aqui.
Sobre Romances, o "book-review". Por questões de espaço. Como fazer uma análise literária em poucas laudas? Sem analisar a fundo a questão, o enredo, as personagens, a estrutura sintática, o relevo etc. O mesmo com novelas e contos longos. Quanto às crônicas, escreverei aqui e acolá algumas.
Outras informações, depois esclareço, que o tempo é curto. E prólogos, não são para ser prolongados, que cansam o leitor. De estorvo, já basta o de cada um. Espero que apreciem.
Allan Pessoa.




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